quinta-feira, 24 de setembro de 2009



Já não posso lembrar dos sonhos ou por que acordo com os ursos espalhados pela cama.
Há uma força em mim que não desiste. Não sei força de quê. Não sei do que não desiste. Mas junto com essa força há as manhãs, frias ou quentes, chatas ou divertidas, e há as pessoas. Mas junto com essa força há as noites, escandalosas ou normais, bêbadas ou sóbrias, com alguém pra estragar ou não. Mas junto com essa força há uma fraqueza absoluta que pode me derrubar com lágrimas depois de uns copos de cerveja. Mas junto com essa força há um amor, um medo, um destino, uma saudade, uns amigos, umas dúvidas e alguma certeza, sei que alguma certeza deve haver. Mas junto com essa força existe várias mulheres dentro de mim e várias pirralhas que se socam e se chutam pra sair. Mas junto com essa força há um céu que me desinibe diante de tudo e há, agora, a primavera e algumas cores.
E eu não sei o que fazer pra que o tempo não passe. Não sei o que fazer dessas manhãs que escoam pelos meus dedos e dessas tardes que consomem toda a comida da geladeira, mesmo eu estando de regime. Não sei o que fazer com essa minha falta de vontade de estudar . Não sei o que fazer com a noite, com o vento do amanhecer e com as palavras que eu não tenho.

-Então você não descobriu como se voa?
-Não.
-Mas é muito simples, é só girar até ficar tonto e fechar os olhos