domingo, 8 de agosto de 2010


"(...) e nós bêbados e acima de tudo exibidos como um bando de otários que não cresceram e curtem qualquer coisa menos a si mesmos, e nisso eu também me incluo, preciso dos ventos frescos da Califórnia, começo logo depois do Ano-Novo -mas desde essa noite, e da ressaca, até voltar, eu percebo a minha própria tragédia pessoal, meu sono, porque meu próprio quarto é assombrado à noite quando eu estou dormindo ou acordo de uma séries de imagens agitadas desesperadas, quando me pego embaralhando as cartas da memória ou a memória embaixo do maço, e também percebo a tragédia, a solidão da minha mãe. Eu tenho a impressão constante de que eu vou morrer logo, só a impressão, não desejo isso nem tenho 'premonições', eu sinto que agi errado, muito errado comigo mesmo, eu estou jogando fora uma coisa que eu não consigo encontrar nem na mixórdia incrível que sou eu mesmo mas que está indo fora junto com os restos, enterrada no meio dos restos, e que de vez em quando eu consigo ter uma breve visão." Kerouac

Agora começa o meu isolamento, a tristeza boa, o peso de uma saudade que não pode ser medida, o vazio sendo preenchido pelas palavras perdidas, a decepção com os outros não sendo culpa deles e esse eco na minha mente de vozes e sonhos.
Não sei onde começa nem onde termina. Não sei nem ao menos se há começos e fins. Mas ando nessa corda tão alta que o vento bate forte no meu corpo e me faz dançar. Ainda danço.