a cada dia sinto que me perco mais ainda dentro de mim mesma, tentando me reencontrar no que sobrou de você em mim. o que me deixa confusa não é o que você está fazendo com a sua vida, pois pra mim pouco importa, o que me preocupa é o que você fez comigo e a maneira como estou me acabando em nada. a chuva não vem, nem a noite, nem o frio, nem você. eu sei disso e talvez já nem me importe mais, apenas me acostumei a me sentir vazia e receber de braços abertos toda e qualquer tempestade, me acostumei a sentir medo longe dos teus braços, dos teus cuidados. mas eu criei asas e só o que me falta é aprender a voar alto, ou talvez me jogar do mais alto monte, só pra sentir os cabelos esvoaçando e aquele vento doce me acariciando, como suas mãos que navegavam em meus horizontes mais distantes. eu quero sorrir, eu quero beber toda a leveza do mundo e vomitar na sua cara. quero morder cada pedaço do silêncio e sentir toda a solidão me corroendo, mais e mais.
mas eu ainda tenho vontade de gritar, correr, chorar e pisar em cima de você; desculpe-me. hoje eu te odeio, amanhã, talvez não.
/você poderia ser feliz e eu não saberei, mas você não estava feliz no dia em que te vi partir e todas as coisas que queria não ter dito passam em círculos até tornarem-se loucura na minha cabeça. é muito tarde para te lembrar de como nós éramos, mas não os nossos últimos dias de silêncio, gritos, borrões. eu deveria ter impedido você de sair pela porta. você poderia ser feliz, eu espero que seja, você me fez mais feliz do que já fui há tempos e de alguma maneira tudo o que eu tenho cheira a você, e pelo mais curto momento, tudo não é de verdade. faça as coisas que você sempre quis sem que eu esteja lá para te impedir, não pense, apenas faça. mais do que qualquer coisa eu quero ver você ir tirar uma gloriosa mordida do mundo inteiro.